segunda-feira, 30 de outubro de 2017

POR QUE HÁ EVASÃO DOS IRMÃOS?

POR QUE HÁ EVASÃO DOS IRMÃOS? 
em Mural da Rede Social do GOSP
Os Maçons, via de regra, deixam de frequentar a Loja, pelas seguintes causas:

1 - Inadaptação ao meio maçônico;

2 - Transferência de residência para outra cidade (Oriente);
3 – Doença prolongada ou falecimento;
4 - Desinteresse motivado por:
a - Rotina;
b - Austeridade excessiva;
c - Discriminação;
d - Influência negativa dos familiares (esposa e filhos);
e - Ausência nos eventos maçônicos;
f  - ostentação;
g - Melindres.

1. ROTINA A Loja não se atualiza com o progresso, em todas as latitudes: 
1.1 - Falta de programação;
1.2 - Desleixo para com o horário das sessões;
1.3 – Sessões prolongadas (espaçosas), sem justa causa;
1.4 - Discussões inúteis;
1.5 - Lamentações e críticas destrutivas;
1.6 - Ausência de um Plano de Ação exequível;
1.7 - Falta de planejamento, quanto a orçamento e finanças, ocasionando frequentes "facadas", além da mensalidade e outros tributos já existentes, para finalidades diversas, como rifas, jantares,presentes,etc.

2. AUSTERIDADE EXCESSIVA
2.1. Sessões por demais formais e protocolares, onde os mais tímidos se sentem inibidos de participar.

3. FALTA DE INFORMAÇÃO E DE INSTRUÇÃO MAÇÔNICA
3.1. Desconhecimento do que vai pelo País e pelo Mundo em matéria de Maçonaria;
3.2. Desconhecimento do Ritual, da Constituição,RGF e legislação complementar;
3.3. Desinteresse pela literatura maçônica e pelas palestras inspiradoras, durante o quarto de hora de estudos, que incutem nos Irmãos, a médio e longo prazo, o verdadeiro amor pela Ordem.

4. DISCRIMINAÇÃO:
4.1. Atenção por parte dos dirigentes da Loja para com alguns, em detrimento de outros, não só em termos de Loja como também em relação às famílias, principalmente nos momentos de infortúnio, quando a solidariedade se fez mais necessária;
4.2. Formação de grupinhos que geram facções e dificultam o entrosamento e a interação dos novos Irmãos.

5. INFLUÊNCIA NEGATIVA DE FAMILIARES:
5.1. Esposa não simpatizante com a Ordem, concorrendo para desestímulo do Irmão;
5.2. Filhos ou filhas que fazem dos avós babás dos netos, enquanto frequentam boates, cinemas ou outras diversões, esquecidos de que a oportunidade dos velhos passa e não volta mais.

6. AUSÊNCIA NOS EVENTOS MAÇÔNICOS:
6.1. Ausência às conferências maçônicas, onde se aprende Maçonaria, recebem-se estímulos, reveem velhos amigos e fazem-se novas amizades;
6.2. Falta de visitas a outras Lojas, para transmitir, receber ou permutar conhecimentos maçônicos.

7. FALTA DE FREQUÊNCIA:
7.1. Sinal evidente de que o Irmão não se integrou à Maçonaria. Quanto mais falta, mais vontade tem de faltar às sessões, perdendo, consequentemente, o vínculo com os Irmãos ao desatualizar-se com o que se passa na Loja e atrasar-se com a Tesouraria (...).

8. OSTENTAÇÃO:
8.1. Uso indevido do ambiente maçônico para esnobismo de cultura, posição social, riqueza e promoção pessoal;
8.2. Pompas e gastos supérfluos nos encontros maçônicos, dentro e fora das Lojas, conflitantes com a pobreza que ronda as nossas comunidades.

9. MELINDRES:
9.1. Suscetibilidade excessiva ou simplesmente complexo de inferioridade ao colocar o indivíduo aquém daqueles que sobrepujam os pequenos conflitos e elevam a Maçonaria acima dos erros inerentes à pessoa humana.

“O verdadeiro Maçom é aquele do Grupo "A", ou seja, não abandona o desafio por motivos fúteis, pelo contrário, é sempre o primeiro a sorrir, o primeiro a estender a mão, o primeiro a perdoar!".

Denilson Forato M.I.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O que viemos fazer aqui ?

Construir prédios, fazer filantropia? Fazer discursos, fazer trabalhos filosóficos? Não precisamos vir na Loja para fazer tudo isso. Aqui estamos para compartilharmos o conhecimento, selarmos os laços de amizade que nos unem como verdadeiros Irmãos. Congregamo-nos para dar e receber conhecimentos.

Estamos aqui para aprender, para entender o que é a Maçonaria e o que ela quer. E, para isso, ela exige que completemos um curso. E no que consiste este curso? Ouçam, Vejam e Escutem, EM SILÊNCIO, assim vocês verão e entenderão toda a beleza da verdadeira Maçonaria.

É um ano e meio ou dois, só, para ouvir e aprender o básico. Depois vocês estarão aptos a falar com conhecimento e sabedoria. Vocês se tornarão Mestres e os Mestres têm que falar para ensinar, todavia, saber o que falar.

 Aí alguém vai me perguntar: e os Mestres de hoje, por que não adotam este critério? Por que não seguem essas regras?

Porque eles não aprenderam de forma correta.    Não foram ensinados de forma adequada. Foi tudo na base do “achismo”, do eu acredito que..., do improviso, sem o devido domínio da matéria.

 A Maçonaria é ajudar os outros, afirmam alguns. O que não é verdade. 

A Maçonaria não é uma instituição preparada para construir prédios, para fazer filantropias, ficar aprovando projetos sem parar, como em muitas Lojas, etc. Para isso existem outras instituições, preparadas para essa finalidade. A Maçonaria existe para formar Construtores Sociais, transformar o homem material em homem moral, resumindo toda moral de aperfeiçoamento humano. Ministra seus ensinamentos por meio de Símbolos e Alegorias. Ensina o homem a desvencilhar-se dos defeitos e paixões e ser exemplo a toda sociedade de homens livres. Não é proibido que Irmãos ajudem as pessoas necessitadas, que Irmãos se unam para ajudar ou dirigir entidades que prestam solidariedade aos menos privilegiados. A Maçonaria, primeiro, tem que formar e preparar o homem.

 Vocês que acabaram de entrar para a Maçonaria, que serão o nosso futuro e que irão dirigir nossa entidade; vocês foram indicados e entraram pelo processo de Iniciação, através do qual lhe exigiram uma porção de compromissos e lhes fizeram uma porção de promessas, porque confiaram no seu Padrinho, confiaram no Venerável Mestre, confiaram na diretoria da Loja, enfim, confiam nos Maçons.

Essa confiança deve ser retribuída e, portanto, não tenham medo de errar, todavia, não errem nada fazendo.

Quem escolhe entrar para a Maçonaria está aceitando ter uma nova forma de vida. Estão aceitando novos compromissos, novos desafios. Não sendo por isso, não tem sentido entrar para uma Instituição dessa natureza que é cara financeiramente e nos toma muito tempo. É uma Instituição séria e muito exigente. Para aqueles que levam com responsabilidade o estudo e a prática, o sucesso em algum setor da vida será infalível.

Saímos do mundo profano,     como chamamos o mundo comum onde vivemos. Ora, se chamamos assim o mundo que vivemos é porque o mundo da Maçonaria é diferente e, se é diferente, devemos vivê-lo como tal, de forma diferente.

Passamos pelo misterioso processo da Iniciação e,simbolicamente, saímos do útero da mãe natureza, lá das profundezas da terra e recebemos a Verdadeira Luz, renascemos para um mundo novo.

Depois do renascimento simbólico, estaremos aprendendo a dar os primeiros passos no seio do novo mundo. Vamos aprender a falar balbuciando palavras estranhas e diferentes daquelas que estamos acostumados. Vamos nos alfabetizar aprendendo a ler, letra por letra. Aprender o som de cada uma e, depois, soletrá-las, formando palavras e depois frases. Paralelamente, vão nos ensinar que somos uma Pedra Bruta e temos que lapidá-la e, para tanto, devemos aprender a nobre arte de Construtores Sociais, entendendo que somos Pedra Bruta, somos, também, o Malho e o Cinzel, portanto, somos Obreiros e temos que trabalhar para nos polir. Vamos aprender a gramática, depois a lógica e, em seguida, a retórica, para que possamos nos comunicar neste mundo novo que estaremos a viver.

Depois de transformá-lo em Maçom, deverá ser aperfeiçoado, para que ele seja verdadeiramente um “Construtor Social”.

Maçonaria é simples, não há necessidade de complicá-la.

É preciso trabalhar, então, mãos à obra.

Para tal mister, existe um Ritual  para cada Grau, que simplifica e facilita tudo.

O Rito Escocês Antigo e Aceito é complexo porque poucos o estudam e por isso, poucos o entendem e, o pior, não deixam que outros aprendam.

Denilson Forato-M.I.

Frustração em Loja, isso existe.

É muito comum nos darmos conta de como fomos infelizes em  relacionamentos, seja em casa, no trabalho ou em Loja. Por que nos sentirmos culpadas pelos dissabores dessas relações frustradas?  O problema são as expectativas que colocamos sobre as relações quando embarcamos em um empreendimento, achando que vai ser bom pra vida toda. Temos que nos conscientizar de que nem sempre aquela relação foi como esperávamos que fosse. Ai entra o amadurecimento.

Por que tenho que pagar o preço sozinho por tanta frustração? Esta e a conclusão que muitos chegam depois de anos de vida e luta em uma Loja Maçônica . Por que a conta cai sempre do lado mais fraco? A solidão, o choro, a mágoa e as frustrações. Não queremos mais pagar esse preço. Temos que dividir essa conta. Os Irmãos de Loja  também tem que começar a dividir esse prejuízo. Por que essa falta de discernimento sobre o sentimento de algum Irmão afetado? O universo maçônico é bom. Não pode “aquele Irmão” só chegar, bagunçar, e ir embora, como se nada tivesse acontecido.

A verdade é que quando entramos num espiral de paixão (coisa proibida para os Maçons) passamos a não enxergar as coisas como realmente são. Acostumamo-nos até mesmo com os defeitos uns dos outros, e passamos a achar que tudo é normal, até que por fim se torna realmente normal, e já não enxergamos mais aquilo que nos faz infelizes, nos acostumamos com as falhas uns dos outros. Até que em algum momento um dos Irmãos, sente que algo não vai bem e começa a procurar algo de diferente, ai pede seu Quite Placet e vai embora.

Por que não podemos estar sempre alertas, dialogar e tentar encontrar caminhos de mudar aquilo que não vai bem em Loja? Podemos sempre melhorar como seres humanos e Irmãos. Temos que aprender a nos dar o devido respeito. A própria sociedade, cruel, sempre joga a culpa no que “fala” : Ele é sempre a culpado pelos dissabores no relacionamento em Loja, quando não é por ser muito possessivo , é por negligência, falta de atenção e cuidado com os irmãos. Esquece-se que nós Maçons  também  temos nossas carências, nossas necessidades de atenção, somos seres feitos de puro sentimento e nos dedicamos por natureza as pessoas a quem amamos, família e Irmãos. 

Precisamos aprender a nos reeducar e aprender a ter um segundo plano, não se pode jogar uma vida inteira nas mãos de Irmãos que não gostam de você, e não é somente no aspecto financeiro de Loja, não se pode , ser mais um, mais um que paga a Mutua ou o aluguel , mas intelectual e afetivo também. O Respeito a cada Irmão, deve ser levado a sério, pois é humano e não só um nº de CIM.

Nada disto! Precisamos reagir. Vamos rever nossos conceitos, afinal nascemos para a felicidade, e tornar feliz a humanidade. Mas como isso de em Loja não há “clima”? Se em Loja o Irmão é podado, pelos “donos”? Se suas ideias e opiniões não são aceitas? Se o “mimimi” impera?

Conversar é uma saída pratica e leal. Coloque tudo em pratos limpos. 

Muitas Lojas abatem colunas, por causa de Irmãos, já vi isso, já senti isso, já vivi isso!
Então, a deixa fica: Cuide bem do seu Irmão, cuide de suas frustrações, faça-o sentir parte do Loja, faça-o sentir-se bem. Ai não haverá problemas e nem perdas.

Denilson Forato, M.I.      

Lapidando Minha Pedra Bruta

Desde que me iniciei nesta Augusta Ordem, e desde que adentrei ao templo em busca da verdadeira luz, me foi sempre dito que deveria lapidar minha pedra bruta. Disseram-me também que este lapidar seria um trabalho lento e solitário, onde deveria aparar minhas arestas sem reparar nas imperfeições de outras pedras. Entretanto, a solidão na caminhada ao espiritual não significa viver apartado das pessoas, pois o crescimento sem a companhia dos irmãos é impossível, visto que desapareceriam os referenciais que servem de colunas de orientação.
Da mesma forma, torna-se impossível lapidar minha pedra sem reparar nas pedras a meu lado que me servem de vetor e por isso mesmo de orientação em minha lenta lapidação. É muito fácil dizer que eu não reparo na imperfeição da pedra alheia e por isso também não vou querer que reparem na imperfeição da minha.

A Maçonaria é sábia e perfeita em seus ensinamentos e nada nos é colocado sem que haja uma razão de ser. Se no primeiro grau simbólico a pedra bruta tem que ser desbastada, ela terá sempre como molde a pedra cúbica. Para que possa o Aprendiz galgar sua subida na escada de Jacó, ele sempre terá como modelo o Companheiro. Dá mesma forma, o Companheiro no polimento de sua pedra cúbica aprimorando-se em busca da perfeição maçônica, também o fará moldando-se no modelo da pedra polida, que por seu polimento reflete a sabedoria e conhecimentos do Mestre.

Daí a importância em reparar nas perfeições e porque não dizer nas imperfeições de outras pedras, pois até mesmo o errado nos é importante para que saibamos o que vem a ser o certo. A maçonaria é perfeita, mas o homem, este, está fadado à imperfeição, pois vive ainda em sua constante luta entre o espírito e a matéria.

Vemos também a necessidade de um aprendizado em conjunto nas palavras de Lev Vygotsky que particulariza o processo de ensino e aprendizagem na expressão “obuchenie” própria da língua russa, que coloca aquele que aprende e aquele que ensina numa relação interligada e diz ainda que “na ausência de outro, o homem não se constrói homem”. Pois se de uma forma devemos abrir nossos corações para o que nos ensinam, da mesma forma quem nos ensina deve saber tocar nossos corações.

A grande importância de nos reunirmos está em revigorar nossas forças para o solitário desbastar de nossas imperfeições, pois além do carinho, da fraternidade, do amor que nos une e nos fortalece, está também o exemplo que damos e que seguimos. Pois fica, assim, mais palpável para nós, tornarmos pessoas melhores, se estivermos ao lado de pessoas que consideramos e admiramos.

Jean Piaget, Emília Ferreira,  Paulo Freire, Rubens Alves, entre tantos outros pedagogos e pensadores são unânimes em reconhecer que aprendemos mais pelos exemplos que temos do que pelas palavras que nos falam, ou seja, a máxima – faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço – não funciona nem em nossa infância, quanto mais em nossa maturidade. E, sendo assim, não adianta dizer que por ser um trabalho solitário, tal trabalho não me dará responsabilidades para com as pedras a meu redor, não basta polir somente a minha pedra, tenho que também servir de exemplo para o polimento de outras a meu lado.

Todavia, inerente a tal afirmativa, o maçom está fadado a ser sempre um exemplo a ser seguido, um exemplo de moral, virtude, sabedoria, instrução, bondade, tolerância, ou seja, estará sempre sendo cobrado em sua luta eterna na construção de castelos a virtudes e masmorras ao vício. O Aprendiz vem a ser um exemplo de modelo ao profano, e terá o Companheiro como modelo, que por sua vez se espelhará nos Mestres, pois a Arte Real sabiamente dividiu os graus simbólicos em três da seguinte forma: no primeiro conheça a ti mesmo, vença suas paixões e submeta suas vontades; no segundo adquira conhecimento, através das ciências para que no terceiro já esteja pronto para ministrar os conhecimentos adquiridos e venha a formar novos Mestres.

Daí, a importância de nos reunirmos, tanto em loja, quanto fora dela em nossos momentos de ágape, para que na troca de experiências possamos nos aprimorar, e comungando, em fraternidade e harmonia, possamos revigorar nossas forças para a árdua caminhada em busca de conhecimento e sabedoria para nos tornarmos homens melhores, servindo de exemplo ao resto da humanidade.

Denilson Forato, M.I.